
Em Brasília, a polêmica está armada: uma nova frente parlamentar surge em defesa dos CACs – caçadores, atiradores e colecionadores de armas de fogo. Coincidência ou estratégia eleitoral, a iniciativa levanta debates acalorados.
Liderada pelo deputado Roosevelt Vilela (PL), a bancada pró-armas já conta com sete outros parlamentares alinhados à direita. A promessa? Blindar os direitos dos CACs e turbinar o tiro esportivo com políticas públicas.
Mas será que essa é a prioridade do momento? Cássio Rosa, especialista do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, joga água fria na ideia: "Pura estratégia eleitoral", dispara.
Afinal, com um ano eleitoral no horizonte, agradar o eleitorado "armamentista" pode ser um trunfo. Mas a que custo?
A iniciativa surge em um momento delicado. Os crimes envolvendo CACs dispararam mais de 1000% nos últimos cinco anos. Um paradoxo preocupante.
Enquanto isso, o presidente da Câmara Legislativa, deputado Wellington Luiz (MDB), permanece em silêncio. Evitando comentar a criação do grupo.
Frentes parlamentares: o que são, afinal? No jargão legislativo, são grupos suprapartidários criados para aprimorar leis e discutir temas específicos. Precisam do apoio de, no mínimo, um terço dos deputados.
A proposta de Vilela foi protocolada em junho e oficializada em novembro. Mas qual o objetivo final dessa força-tarefa?
Defender os CACs perante órgãos federais e distritais? Acompanhar políticas de fomento ao tiro esportivo? Esclarecer a "natureza lícita" das atividades dos CACs? As dúvidas pairam no ar.
A Câmara Legislativa garante: a criação da frente não gera custos extras. As atividades utilizam a estrutura já existente, sem despesas adicionais.

Quem são os defensores dos CACs? Além de Vilela, a lista inclui Eduardo Pedrosa (União Brasil), Iolando Almeida (MDB), Joaquim Roriz Neto (PL), Pastor Daniel de Castro (PP), Rogério Morro da Cruz (PRD), Thiago Manzoni (PL) e Wellington Luiz (MDB).
O estatuto prevê um Comitê Estratégico com especialistas em segurança, Grupos de Trabalho com CACs e uma Coordenação Executiva. Uma estrutura complexa para defender um grupo específico.
Para Cássio Rosa, a frente é desnecessária e inconstitucional. "O tema já é debatido no Congresso Nacional, e as leis sobre armas são de responsabilidade do Executivo e do Legislativo Federal", argumenta.
"Lamentável", resume o especialista. Uma crítica dura à iniciativa da Câmara Legislativa.
Os números não mentem: entre 2019 e 2023, os crimes cometidos por CACs explodiram. Em 2023, foram 138 casos de porte e posse de armas, 82 ameaças e 89 crimes contra mulheres.
Em 2025, o noticiário também registrou ocorrências graves: CAC morto em troca de tiros, apreensão de arsenal, disparo acidental contra a esposa, venda ilegal de armas, ameaças a moradores.
Cássio Rosa alerta: muitos usam a legislação dos CACs para ter acesso facilitado a armas, desrespeitando as regras. É preciso valorizar a categoria, mas com rigor e preparo.
Exames psicológicos sérios são cruciais, defende o especialista. "É preciso saber se a pessoa tem condição de usar arma".
Enquanto isso, a Polícia Federal intensifica a fiscalização dos CACs. No país, são 1,5 milhão de armas registradas. Um arsenal que exige controle e responsabilidade.
Afinal, em tempos de polarização e violência, o debate sobre armas é urgente e complexo. E a nova frente parlamentar do DF promete acirrar ainda mais a discussão.
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