
Dubai, a cidade dos sheiks, dos arranha-céus reluzentes e do luxo desmedido, está a viver um pesadelo. E as vítimas, como sempre, são os mais vulneráveis.
Com a escalada de tensões no Médio Oriente e o medo de ataques aéreos pairando sobre a cidade, muitos expatriados estão a fazer as malas e a fugir a sete pés.
Mas o que acontece quando o glamour da vida em Dubai se esvai e o medo toma conta? A resposta é chocante: animais de estimação abandonados à sua sorte.
Cães, gatos e até coelhos. Pequenas vidas inocentes descartadas como se fossem malas velhas, deixadas nas ruas poeirentas.

Imagine a cena: um gato siamês, outrora acarinhado num apartamento luxuoso, agora perdido e assustado, à procura de comida no lixo.
E não é só abandono. A crueldade atinge níveis ainda mais baixos. Veterinários locais relatam pedidos desesperados de donos em fuga: sacrificar os seus animais de estimação.
Eutanásia. Uma palavra fria para um ato ainda mais frio. Uma forma cobarde de evitar a responsabilidade de cuidar de um ser vivo.
Um veterinário, que preferiu não se identificar, revelou: "Recebemos chamadas todos os dias. Pessoas que querem 'resolver' o problema dos seus animais antes de partirem."

Mas quem são estas pessoas? Serão realmente os "donos" de animais de estimação ou apenas utilizadores descartáveis de vidas inocentes?
Uma protetora de animais encontrou uma gata e os seus quatro gatinhos abandonados à porta da sua associação. Uma família inteira, atirada para o lixo.
“O desespero destas pessoas é compreensível, mas não justifica este tipo de atitude. Os animais não têm culpa de nada”, desabafou a ativista.
A situação é tão grave que as associações de proteção animal em Dubai estão sobrecarregadas. Não há espaço para tantos animais abandonados.
A lei nos Emirados Árabes Unidos proíbe o abandono de animais, mas a fiscalização é difícil, especialmente em tempos de crise.

Especialistas em comportamento animal alertam para o impacto psicológico do abandono nos animais. O trauma pode durar anos.
“Estes animais sentem a perda, a solidão, o medo. Muitos desenvolvem problemas de comportamento e ficam deprimidos”, explica a Dra. Amina Al-Suwaidi, veterinária especialista em comportamento animal.
A ironia é cruel: Dubai, símbolo de riqueza e ostentação, revela agora uma face sombria, marcada pela irresponsabilidade e pela falta de compaixão.
Enquanto mísseis e drones pairam sobre a cidade, a verdadeira tragédia acontece nas ruas, com pequenos seres indefesos a pagar o preço da ganância e do medo.

Será que esta crise servirá de alerta para repensarmos a nossa relação com os animais? Será que aprenderemos a valorizar a vida acima dos bens materiais?
A resposta está nas nossas mãos. Ou melhor, nos nossos corações.
Porque no meio do caos e da incerteza, a compaixão é a única arma que pode nos salvar.
E talvez, salvar também esses pequenos sobreviventes de Dubai.
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