
Dracena, interior de São Paulo, 1996: Uma noite que se tornou lenda. Pouco antes da tragédia que silenciou os Mamonas Assassinas, a cidade testemunhou um show que ecoa até hoje na memória dos fãs.
Quase 30 anos depois, as lembranças daquele dia ressurgem com a força de um hit dos Mamonas. Uma fã e uma tia de Dinho compartilham memórias que aquecem o coração e trazem à tona a energia contagiante da banda.
Dinho, Bento Hinoto, Samuel Reoli, Júlio Rasec e Sérgio Reoli: nomes que marcaram uma geração e que, em 2 de março de 1996, tiveram suas vozes silenciadas após um show em Brasília.
Mas antes daquele fatídico dia, em 10 de janeiro, Dracena pulsava com a irreverência dos Mamonas. Um público de 14 mil pessoas, vindo de diversas cidades do interior paulista, se uniu em uma quarta-feira inesquecível.
O motivo do show? Nobreza pura! Arrecadar fundos para a manutenção de uma escola local. Mas o que ninguém imaginava é que aquele evento se tornaria um marco na história da cidade.
Adrielle Brito Cavalari, na época com apenas 9 anos, viveu um conto de fadas. Ela conseguiu o que muitos sonhavam: invadir o camarim e abraçar seus ídolos, em especial Dinho, seu preferido.
"Comecei a chorar porque queria ver os Mamonas", relembra Adrielle, hoje com 39 anos. "Eles chegaram em uma viatura tipo camburão, foi uma muvuca e quase fui atropelada."
O desespero da pequena Adrielle chamou a atenção de um segurança, que a carregou nos braços, entregando-a de mão em mão até o camarim. Lá, o encontro mágico com seus ídolos se concretizou.
"Entrei e fui direto ver o Dinho, ele era o meu preferido. Ele foi muito carinhoso e atencioso comigo e minha família, porque minha mãe e irmã também entraram", conta emocionada.
As lembranças daquele dia permanecem vívidas na memória de Adrielle. Samuel fazendo cócegas para acalmá-la, Bento simulando tocar guitarra e Júlio agitado, andando de um lado para o outro no camarim.
"Parece que passa um filme na minha cabeça, eu no meio da multidão e eles cantando", descreve. "Tem uma música que saía umas faíscas nas costas do Dinho, isso era novo, nunca tinha visto. Fiquei encantada."

Mas a saudade, inevitavelmente, bate à porta. "Até hoje não consigo acreditar que eles se foram. Quando penso, dá um caroço na garganta. Eles eram jovens e tinham uma vida toda pela frente", lamenta Adrielle.
"Eles eram engraçados, cheios de vida e muito atentados, não tinha como não amar", completa, com o carinho de uma fã que acompanhou a banda desde o início.
"Me sinto honrada em ter conhecido eles, foi um privilégio que muitos queriam ter tido. Sempre serei fã e meu grande amor era o Dinho", declara, com a voz embargada pela emoção.
A notícia da morte dos Mamonas foi um choque para Adrielle, que soube da tragédia pela mãe. "Chorei muito quando veio a notícia oficial da morte deles", recorda.
Anos depois, Adrielle visitou o cemitério em Guarulhos, onde os corpos dos Mamonas foram exumados para a criação de um memorial. Um gesto de carinho e respeito à memória de seus ídolos.
E as lembranças não se limitam aos fãs. Ivanilde Ramos Ribeiro, a tia Vania de Dinho, também compartilha momentos especiais ao lado do sobrinho famoso.
"Dinho era muito brincalhão, muito, muito. Ele não podia ver ninguém quieto, porque ele mexia. Mas um menino de ouro", conta tia Vania, com o brilho nos olhos.
"Para ter ideia, ele foi criado no evangelho e, quando seguiu carreira, ele dizia: 'se Deus quiser, eu vou chegar lá' e chegou, né? Pouco tempo, mas chegou", completa, emocionada.
Tia Vania acompanhou diversos shows dos Mamonas, em cidades como Sorocaba, Jundiaí e, claro, Dracena. "Foi muito gostoso. Isso daí não vai sair da minha memória nunca", garante.
Em Dracena, a memória dos Mamonas Assassinas permanece viva. Um show que se tornou lenda, lembranças que aquecem o coração e a certeza de que a irreverência e o talento da banda jamais serão esquecidos.
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