
O Recife está de luto. Victor Dantolli de Fontes Souza, um pai de família de 36 anos, teve a vida brutalmente interrompida durante um assalto na última terça-feira.
Victor, que trabalhava como motorista de aplicativo, foi baleado fatalmente enquanto tentava escapar dos criminosos. Um ato de violência que chocou a cidade e deixou uma família devastada.
A tragédia ocorreu na Estrada do Encanamento, no bairro de Casa Forte, uma área teoricamente tranquila do Recife.
Mas a história de Victor é ainda mais dolorosa. Segundo sua irmã, Tázia Fontes, o dia de sua morte era para ser um dia de esperança: ele tinha uma entrevista de emprego agendada.
"Ele ia fazer uma seleção, que já estava agendada," revelou Tázia ao g1, "e ele decidiu sair mais cedo para não perder totalmente o dia [de corrida]."
A entrevista era para uma vaga de empilhador em uma empresa no Polo Automotivo de Goiana. Um emprego que poderia trazer a estabilidade que Victor tanto buscava para sua família.
"Nesse horário, ele já estava retornando para casa, era a última passageira dele. Ele ia retornar para casa para fazer a entrevista de emprego," completou Tázia, a voz embargada pela dor.
Victor deixa para trás a esposa e dois filhos, um adolescente de 13 e uma menina de 8 anos. Uma família que dependia do seu trabalho honesto e que agora se vê desamparada.
Antes de se dedicar ao trabalho como motorista de aplicativo, Victor havia trabalhado por muitos anos como empilhador em uma cervejaria em Igarassu.
Após ser desligado da empresa, ele se virava com empregos temporários e as corridas por aplicativo. Uma luta diária para garantir o sustento da família.

A família relata que Victor havia trocado de carro há apenas um mês. Ironia do destino, foi nesse carro que sua vida foi ceifada.
"Meu irmão é um rapaz trabalhador, digno," desabafou Tázia. "Era do trabalho para casa, para o filho, para a esposa, para a gente, as irmãs, para a mãe. Meu irmão nunca teve vício de nada, de nada. Meu irmão era um exemplo de pessoa."
A violência no Recife, infelizmente, é uma realidade. Tázia conta que a família sempre teve medo da violência nas ruas.
"A gente sabe o quanto é violento. E era o único meio de trazer o sustento para casa," lamenta Tázia. "A família está toda arrasada, porque a gente não esperava. A gente sempre é apreensiva, porque sai de casa e não sabe se volta."
Imagens de câmeras de segurança registraram o momento do crime. Os dois criminosos abordaram Victor pela janela do passageiro e atiraram na vítima.
O carro descontrolado cruzou a rua e colidiu com o portão de um imóvel. Os bandidos fugiram a pé, deixando Victor agonizando.
A Polícia Civil está investigando o caso através do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Mas para a família, a justiça é a única forma de amenizar a dor.
"Que não fique impune para não se tornar mais uma estatística," clama Tázia, em nome de toda a família. Que a morte de Victor não seja em vão e que sirva de alerta para a crescente violência que assola a cidade.
O velório de Victor foi marcado para esta quarta-feira, um momento de despedida e de luto para todos que o amavam. Que sua memória seja honrada e que sua família encontre forças para seguir em frente.
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